
A gestão de pessoas é essencial para o sucesso de qualquer organização, e no ambiente escolar não é diferente. Liderar equipes pedagógicas, alinhar objetivos institucionais e desenvolver professores e coordenadores exige mais do que boas intenções: faz-se necessária a adoção de estratégias claras e práticas eficientes. Confesso a você, que me lê, que quando fui apresentado ao livro Pipeline de Liderança, de Ram Charan, Stephen Drotter e James Noel, o qual seria utilizado em nosso Cumbuca de 2024, dei aquela torcidinha de nariz. A princípio, não parecia haver conexão entre sua abordagem corporativa/empresarial e a realidade educacional (e sim, não se esqueça, uma escola é uma empresa). Contudo, a obra me proporcionou insights poderosos e aplicáveis à gestão escolar.
O livro descreve as transições críticas que os líderes enfrentam ao longo de suas carreiras, destacando a necessidade de abandonar hábitos antigos e adquirir novas habilidades. No contexto educacional, essas transições também são desafiadoras. E é aí que começam as reflexões para o ambiente escolar, ou, pelo menos, deveriam começar. Afinal de contas, a carreira em uma instituição de ensino não tem por obrigação ser estagnada. Pelo contrário, no que tange aos indivíduos que optam por atuar na educação, ela tem de ser incentivada. Por outro lado, em seu viés empresarial, a escola pode e deve desenvolver processos focados na descoberta e no desenvolvimento de “novos talentos”, uma iniciativa que qualquer outra empresa, em um segmento diferente, utilizaria para preencher seus quadros com mão de obra qualificada e apta a ascender profissionalmente.
Neste sentido, imaginemos um episódio comum em uma escola, quando um professor assume a função de coordenador pedagógico. No presente caso, ele deixa de se concentrar apenas no desempenho em sala de aula para assumir o papel de facilitador de toda uma equipe. Isso exige habilidades de delegação, mediação de conflitos e orientação, além de uma nova forma de se relacionar com colegas que agora passam a ser liderados. Se imaginarmos o caso dos diretores pedagógicos, estes enfrentam desafios ainda maiores, como gerenciar equipes diversas, alinhar estratégias institucionais e promover a integração entre ensino e comunidade.
Logo, o Pipeline de Liderança auxilia no desenvolvimento desta trilha de aprendizagem para profissionais que necessitam desenvolver determinadas habilidades para os postos aos quais serão direcionados. No entanto, enfatiza-se que um dos potenciais do modelo proposto, e que nós, gestores educacionais, não podemos ignorar, está na possibilidade de identificar e desenvolver novas lideranças na própria comunidade escolar. Professores e auxiliares, por exemplo, que demonstram potencial, podem ser preparados para assumir novos papéis, fortalecendo processos internos e garantindo a continuidade da cultura institucional. Esse modelo é estratégico, pois não só reduz custos e riscos associados à contratação externa, mas também fortalece o senso de pertencimento e o compromisso da equipe.
Em seu viés prático, a obra fortaleceu meu interesse em implementar no Colégio Nova Geração algo que já havia vivenciado positivamente em oportunidades anteriores: a função dos Professores Coordenadores de Área (PCAs). Esses professores, três ao todo, que se destacaram nos últimos anos, assumirão em 2025 a responsabilidade de liderar o planejamento pedagógico de suas respectivas áreas de conhecimento (a saber: Ciências da Natureza e Matemática; Ciências Humanas, e; Linguagens). Essa transição será acompanhada de formações e suporte contínuos, destacando o meu compromisso e, consequentemente, o compromisso da escola com o desenvolvimento de suas lideranças internas. Ademais, o livro nos propiciou, ao longo de 2024, observar dois casos bem sucedidos de pipeline na instituição. O primeiro referente a um professor de Educação Física que, em razão de sua proatividade e dinâmica com os alunos, em anos anteriores havia sido elevado ao cargo de Coordenador Disciplinar. Agora, em 2024, devido aos seus bons resultados na área, foi promovido à função de Coordenador Pedagógico do Ensino Fundamental I. O segundo caso, ainda mais impressionante, revelador do potencial por trás dessa metodologia e de seus benefícios, se refere a uma profissional que iniciou conosco, há 7 anos, no cargo de secretária escolar. Em seguida, assumiu a gestão do RH, área em que possuía formação. Posteriormente, ocupou cargos de supervisão e coordenação pedagógicas, até que, hoje, em razão de todo o know how institucional que havia adquirido, bem como seu interesse e busca por se qualificar, inclusive se formando em Pedagogia no percurso, assumiu a Direção Pedagógica dos anos iniciais do Colégio Nova Geração.
Assim sendo, estes e outros exemplos, pensados a partir da leitura de Charan, Drotter e Noel, referendam a adoção de iniciativas focadas em garantir que a escola forme profissionais competentes e adaptados às suas necessidades. Ao mesmo tempo, também forçam o ambiente escolar a se colocar como um espaço de incentivo ao aprendizado contínuo e a valorização do desenvolvimento de seus colaboradores. Uma prerrogativa que, às vezes, fica delegada apenas aos nossos alunos. Isto posto, atesta-se a relevância de toda empresa ter o seu Pipeline de Liderança bem definido, se apropriando desta ferramenta valiosa para se construir uma base sólida e sustentável de profissionais/líderes que vistam a camisa da empresa e se encontrem preparados para um mercado dinâmico e cheio de desafios no porvir.
E você, que atua na educação: como sua escola está preparando e desenvolvendo as lideranças do amanhã?





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