
Quando visitei o Colégio Nova Geração, em novembro de 2023, antes de assumir o cargo de Diretor Pedagógico, minha intenção era clara: compreender o ambiente que me aguardava, conhecer as pessoas que compunham a equipe e, principalmente, ouvir. Acredito que o sucesso em qualquer gestão começa por uma compreensão profunda daquilo que motiva e desafia os profissionais que formam a instituição. Foi nesse espírito que realizei conversas individuais no formato de 1:1 com a maioria dos professores que lideraria no ano seguinte.
Essas reuniões iniciais me trouxeram insights importantes. Elas não foram apenas um exercício de escuta, mas uma oportunidade de construir uma conexão genuína com a equipe, antes mesmo de começar a exercer minha função. Durante essas conversas, ficou evidente que os professores enxergavam no novo momento uma oportunidade de transformação e crescimento. A expectativa era palpável, marcada por otimismo e vontade de participar ativamente das mudanças que estavam por vir.
No entanto, eles também apresentavam preocupações legítimas sobre aspectos que impactavam diretamente o seu dia a dia. E um dos principais anseios compartilhados pelos professores se relacionava ao reconhecimento profissional, especialmente no que dizia às suas remunerações. Esse ponto foi trazido com frequência, e os argumentos eram bem fundamentados, o que nos lembra que a valorização salarial não é apenas um reflexo do trabalho bem feito, mas também uma condição para atrair e reter talentos, algo essencial em um mercado competitivo como o educacional.
Diante disso, ao assumir a Direção Pedagógica, tratamos a questão salarial como uma prioridade estratégica. Realizamos, junto aos demais gestores, um estudo detalhado sobre as condições financeiras da escola, comparando nossos números com outras instituições da região. Esse levantamento nos permitiu realizar ajustes que não só atendiam às expectativas da equipe, mas também nos posicionavam como uma escola que valoriza o trabalho docente de forma concreta, considerando-se que em determinados segmentos o aumento no valor da hora-aula chegou a aproximadamente 40%.
A decisão de aumentar os salários foi mais do que uma resposta a uma demanda; foi um investimento. Professores valorizados trabalham com mais entusiasmo, permanecem por mais tempo na instituição e dedicam mais energia àquilo que realmente importa: a aprendizagem dos alunos. A medida não apenas contribuiu para melhorar o clima interno, mas também se tornou um diferencial competitivo, permitindo que o Colégio Nova Geração se consolidasse como uma das instituições mais atraentes para profissionais da educação na região.
Mas o aprendizado que eu e os demais extraímos dessas reuniões vai muito além das questões salariais ou de uma simples coleta de informações. O 1:1 possibilita criar um espaço no qual os profissionais se sentem ouvidos e respeitados, no qual podem expor suas expectativas e preocupações sem receios. Como gestor, essas conversas iniciais me ajudaram a traçar um retrato mais completo do cenário que enfrentaria, identificando forças a serem potencializadas e áreas que demandariam mais atenção.
Essa abordagem inicial também serviu para alinhar expectativas. Em qualquer ambiente de trabalho, desalinhamentos entre gestão e equipe podem gerar frustrações que comprometem o desempenho. O 1:1 permite criar uma visão compartilhada, onde todos entendem seus papéis e sabem o que esperar do outro.
Desta forma, podemos perceber que o 1:1 não é apenas uma estratégia para gestores recém-chegados. Trata-se de uma ferramenta contínua, que deve ser usada regularmente para monitorar o clima organizacional, identificar problemas antes que eles cresçam e reconhecer esforços que merecem destaque. Mais do que isso, ele fortalece a confiança entre gestor e equipe, algo primordial em qualquer instituição educacional.
Ao final dessas conversas, o que ficou mais claro para mim foi o potencial transformador que existe em uma equipe motivada. O Colégio Nova Geração não será, a partir de então, apenas um espaço de trabalho, mas um lugar onde os professores podem crescer, tanto profissional quanto pessoalmente. A construção dessa cultura de valorização e reconhecimento começou nessas conversas e continuará sendo um dos pilares da gestão que eu e meus colegas buscamos implementar.
Assim sendo, tal experiência referenda o papel que o ouvir possui como ponto de partida para qualquer mudança significativa. E, mais do que ouvir, agir de forma coerente com o que foi compartilhado é o que constrói a confiança necessária para que uma equipe atinja seu verdadeiro potencial.
E na sua escola? Com qual frequência você ouve, individualmente, os seus professores? Já pensou em utilizar o 1:1 como estratégia para a gestão de pessoas? Comenta aí…





Deixe um comentário